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Tags: cachaça

25.11.11

Cachaça: Patrimônio nacional

Publicado por Administrator

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Bebida brasileira por excelência, a cachaça tem origem nos tempos do Brasil Colônia. De marcas registradas, são mais de 5 mil em todo o País. O Guia do Sabor conversou com dois amantes da bebida - cada um da sua forma - e dá dicas de onde experimentar uma boa cachaça


O mosto da cana de açúcar fermentado e em seguida destilado dá origem à bebida mais nacional de todas: a cachaça. O termo - que designa o destilado brasileiro - é usado em todo mundo. Disponível em duas versões bases, é possível optar entre a tradicional branquinha, quando o líquido faz o caminho direto do destilador para a garrafa; ou com diversas tonalidades, que adquire de acordo com o tempo e lugar de guarda.

Um dos maiores produtores do Brasil, o Ceará já teve mais de 200 marcas diferentes. Atualmente, esse número não passa de 20. É o que afirma o colecionador da bebida, Elysio Senna. "Entre os anos 60 e 70, o Ceará era conhecido com o produtor de cachaças de boa qualidade. Elas eram fabricadas em sítios ou pequenos alambiques localizados em cidades do interior. As cachaças mais conhecidas dessa época vinham de Aquiraz, Baturité, Redenção, Viçosa, São Benedito, Tianguá, além de Sobral e Aracati. Mas, muitas dessas fábricas foram fechadas por falta de investimentos e nossa produção acabou ficando para trás", comenta Elysio, destacando a produção de Minas Gerais como a mais valorizada e de maior qualidade no Brasil.

Em seu acervo, o empresário aposentado conta com 7 mil garrafas de pinga, originárias de todo o Brasil. Para armazenar as bebidas, ele construiu um galpão com prateleiras de madeira e desumidificadores de ar - necessários para a conservação dos rótulos.

"Se não for assim, a luz e a umidade do ar destroem os rótulos e eles são fundamentais para a qualidade da coleção", diz Elysio, o único que entra no galpão, onde as bebidas estão armazenadas.

Há vários anos dedicando-se à coleção, Elysio já fez compras em grande quantidade para compor o seu acervo. Organizadas em ordem alfabética, as cachaças cearenses têm lugar de destaque.

Somente do Estado, são 757 garrafas. Deste acervo o que mais impressiona são os rótulos de mais de 50 anos, como a Aguardente Velha do Ceará (1945) . "Fiz uma pesquisa e descobri que os nomes das pingas eram escolhidos com o objetivo de chamar atenção. Tem a Arco Íris, Bacana, Bacaninha, Bossa Nova, Apolo 11 (da época em que foi lançado o foguete), Copa 70, Cachação ou Chica Boa", exemplifica.

E não para por aí. A criatividade ia muito além em rótulos como o "Beijo de Moça", "Com essa vida é melhor", "Lua de Mel", "Fica Rico", "Comigo é na porrada", "Venha Ver", "Sunga de sogra", "Cobertor de pobre", "Consolo de velho" e "Os dez mandamentos do machão".

Da região da Serra Grande, especialmente de Tianguá, vêm as cachaças artesanais com nomes mais apelativos: "Amansa brabo", "Amansa corno", "Amansa Sogra", "Atrás do Saco", "Oração do Santo Mé" e "Oração dos cornos". Para não citar os mais ousados.

Curiosamente, embora seja um profundo conhecedor da história da cachaça e de suas origens, Elysio Senna não aprecia a cachaça como bebida. "Comecei colecionando whisky. Mas, há 30 anos, conheci o maior colecionador de whisky do Brasil, Claive Vidiz, que depois também entrou para o Guinnes Book. Eu vi que nunca conseguiria ter uma coleção como a dele. Mas, de cachaça eu poderia ter", conta o cearense, que é membro da Confraria dos Colecionadores de Cachaça.

Para os que estranham o fato de Elysio não beber cachaça, ele explica: "Não gosto. Se algum amigo quer provar uma das cachaças, eu trago aqui e mostro. Mas, eu não aprecio".

Profissão: cachacier

Diferente de Elysio, o publicitário paulista Maurício Maia é um profundo apreciador de cachaça. De tanto provar, hoje, ele que também é Chef de cozinha, se especializou na bebida e tem mais 300 rótulos de todo o Brasil catalogados e devidamente degustados.

No último mês, ele passou pelo Ceará para visitar algumas plantações de cana e conferir os produtos cearenses. Em conversa com o Guia do Sabor, destacou que a cachaça está indo além de uma bebida popular e tem ganhado destaque nas cartas de bebidas dos bares e restaurantes.

O interesse de Maurício pela aguardente brasileira e seu folclore começou depois de conhecer canaviais, destilarias e alambiques no interior de São Paulo. Desde então, ele busca mais e mais conhecimentos e viaja, passando pelas regiões produtoras, além de participar de cursos ligados à produção e ao consumo da cachaça.

Para conhecer melhor as combinações de alimentos com a bebida, o optou por fazer um curso de gastronomia. Com esta formação, passou a elaborar e buscar pratos que harmonizem bem com a aguardente de cana.

Mauricio comenta que a bebida é versátil e pode combinar com diversos pratos da culinária brasileira. O melhor é, que segundo ele, a cachaça não perde seu valor quando utilizada em drinks. Tem combinação melhor do que caipirinha com feijoada? É quase impossível pensar no prato sem associá-lo à bebida.

O certo é que a bebida - tão apreciada por estrangeiros - agora passa a ser valorizada também pelos brasileiros. Pura, na caipirinha ou na preparação de pratos, a cachaça é nossa e merece lugar de destaque na gastronomia nacional!

Onde degustar

Ficou com vontade de degustar cachaça? Em Fortaleza, alguns bares vão além dos rótulos tradicionais e apresentam desde cachaças famosas, passando pelas tradicionais, artesanais e até as mais caras. Uma dose da mineira Havana, por exemplo, pode custar entre R$ 35,00 e R$ 40,00.

Mas, não precisa se assustar. Outras boas cachaças têm preços mais acessíveis. No restaurante Stilo Mineiro, tem lugar para cachaças de diversos estados brasileiros, porém como o nome anuncia, as mineiras são o grande destaque da carta. Além da Havana - em falta no momento - Santo Grau, Lua Cheia e Seleta são rótulos que merecem uma degustação. Para acompanhar, o crocante torresmo mineiro é uma boa pedida.

O restaurante e bar Cantinho do Frango é outro ponto de encontro ideal para os apreciadores da boa cachaça. O local conta com 100 rótulos à disposição dos que adoram provar uma caninha diferente. Além de consumir só em doses, o cliente pode comprar a garrafa e ir consumindo aos poucos.

Serviço

Cantinho do Frango
Rua Torres Câmara, 71, Aldeota. Funciona todos os dias, das 11h às 17h. Telefone: (85) 3224.6112.

Stilo Mineiro
Avenida Manoel Mavignier, 4131 - Sabiaguaba - no caminho do Beach Park. Funciona diariamente, das 9h30 às 17h; quarta a sábado até 0h. Telefone: (85) 3476.9049.

IZAKELINE RIBEIRO
REPÓRTER
 

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Atualmente, esse número não passa de 20. É o que afirma o colecionador da bebida, Elysio Senna. "Entre os anos 60 e 70, o Ceará era conhecido com o produtor de cachaças de boa qualidade. Elas eram fabricadas em sítios ou pequenos alambiques localizados em cidades do interior. As cachaças mais conhecidas dessa época vinham de Aquiraz, Baturité, Redenção, Viçosa, São Benedito, Tianguá, além de Sobral e Aracati. Mas, muitas dessas fábricas foram fechadas por falta de investimentos e nossa produção acabou ficando para trás", comenta Elysio, destacando a produção de Minas Gerais como a mais valorizada e de maior qualidade no Brasil. Em seu acervo, o empresário aposentado conta com 7 mil garrafas de pinga, originárias de todo o Brasil. Para armazenar as bebidas, ele construiu um galpão com prateleiras de madeira e desumidificadores de ar - necessários para a conservação dos rótulos. 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Para os que estranham o fato de Elysio não beber cachaça, ele explica: "Não gosto. Se algum amigo quer provar uma das cachaças, eu trago aqui e mostro. Mas, eu não aprecio". Profissão: cachacier Diferente de Elysio, o publicitário paulista Maurício Maia é um profundo apreciador de cachaça. De tanto provar, hoje, ele que também é Chef de cozinha, se especializou na bebida e tem mais 300 rótulos de todo o Brasil catalogados e devidamente degustados. No último mês, ele passou pelo Ceará para visitar algumas plantações de cana e conferir os produtos cearenses. Em conversa com o Guia do Sabor, destacou que a cachaça está indo além de uma bebida popular e tem ganhado destaque nas cartas de bebidas dos bares e restaurantes. O interesse de Maurício pela aguardente brasileira e seu folclore começou depois de conhecer canaviais, destilarias e alambiques no interior de São Paulo. Desde então, ele busca mais e mais conhecimentos e viaja, passando pelas regiões produtoras, além de participar de cursos ligados à produção e ao consumo da cachaça. Para conhecer melhor as combinações de alimentos com a bebida, o optou por fazer um curso de gastronomia. Com esta formação, passou a elaborar e buscar pratos que harmonizem bem com a aguardente de cana. Mauricio comenta que a bebida é versátil e pode combinar com diversos pratos da culinária brasileira. O melhor é, que segundo ele, a cachaça não perde seu valor quando utilizada em drinks. Tem combinação melhor do que caipirinha com feijoada? É quase impossível pensar no prato sem associá-lo à bebida. O certo é que a bebida - tão apreciada por estrangeiros - agora passa a ser valorizada também pelos brasileiros. Pura, na caipirinha ou na preparação de pratos, a cachaça é nossa e merece lugar de destaque na gastronomia nacional! Onde degustar Ficou com vontade de degustar cachaça? Em Fortaleza, alguns bares vão além dos rótulos tradicionais e apresentam desde cachaças famosas, passando pelas tradicionais, artesanais e até as mais caras. Uma dose da mineira Havana, por exemplo, pode custar entre R$ 35,00 e R$ 40,00. Mas, não precisa se assustar. Outras boas cachaças têm preços mais acessíveis. No restaurante Stilo Mineiro, tem lugar para cachaças de diversos estados brasileiros, porém como o nome anuncia, as mineiras são o grande destaque da carta. Além da Havana - em falta no momento - Santo Grau, Lua Cheia e Seleta são rótulos que merecem uma degustação. Para acompanhar, o crocante torresmo mineiro é uma boa pedida. O restaurante e bar Cantinho do Frango é outro ponto de encontro ideal para os apreciadores da boa cachaça. O local conta com 100 rótulos à disposição dos que adoram provar uma caninha diferente. Além de consumir só em doses, o cliente pode comprar a garrafa e ir consumindo aos poucos. Serviço Cantinho do Frango Rua Torres Câmara, 71, Aldeota. 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Bebida brasileira por excelência, a cachaça tem origem nos tempos do Brasil Colônia. De marcas registradas, são mais de 5 mil em todo o País. O Guia do Sabor conversou com dois amantes da bebida - cada um da sua forma - e dá dicas de onde experimentar uma boa cachaça


O mosto da cana de açúcar fermentado e em seguida destilado dá origem à bebida mais nacional de todas: a cachaça. O termo - que designa o destilado brasileiro - é usado em todo mundo. Disponível em duas versões bases, é possível optar entre a tradicional branquinha, quando o líquido faz o caminho direto do destilador para a garrafa; ou com diversas tonalidades, que adquire de acordo com o tempo e lugar de guarda.

Um dos maiores produtores do Brasil, o Ceará já teve mais de 200 marcas diferentes. Atualmente, esse número não passa de 20. É o que afirma o colecionador da bebida, Elysio Senna. "Entre os anos 60 e 70, o Ceará era conhecido com o produtor de cachaças de boa qualidade. Elas eram fabricadas em sítios ou pequenos alambiques localizados em cidades do interior. As cachaças mais conhecidas dessa época vinham de Aquiraz, Baturité, Redenção, Viçosa, São Benedito, Tianguá, além de Sobral e Aracati. Mas, muitas dessas fábricas foram fechadas por falta de investimentos e nossa produção acabou ficando para trás", comenta Elysio, destacando a produção de Minas Gerais como a mais valorizada e de maior qualidade no Brasil.

Em seu acervo, o empresário aposentado conta com 7 mil garrafas de pinga, originárias de todo o Brasil. Para armazenar as bebidas, ele construiu um galpão com prateleiras de madeira e desumidificadores de ar - necessários para a conservação dos rótulos.

"Se não for assim, a luz e a umidade do ar destroem os rótulos e eles são fundamentais para a qualidade da coleção", diz Elysio, o único que entra no galpão, onde as bebidas estão armazenadas.

Há vários anos dedicando-se à coleção, Elysio já fez compras em grande quantidade para compor o seu acervo. Organizadas em ordem alfabética, as cachaças cearenses têm lugar de destaque.

Somente do Estado, são 757 garrafas. Deste acervo o que mais impressiona são os rótulos de mais de 50 anos, como a Aguardente Velha do Ceará (1945) . "Fiz uma pesquisa e descobri que os nomes das pingas eram escolhidos com o objetivo de chamar atenção. Tem a Arco Íris, Bacana, Bacaninha, Bossa Nova, Apolo 11 (da época em que foi lançado o foguete), Copa 70, Cachação ou Chica Boa", exemplifica.

E não para por aí. A criatividade ia muito além em rótulos como o "Beijo de Moça", "Com essa vida é melhor", "Lua de Mel", "Fica Rico", "Comigo é na porrada", "Venha Ver", "Sunga de sogra", "Cobertor de pobre", "Consolo de velho" e "Os dez mandamentos do machão".

Da região da Serra Grande, especialmente de Tianguá, vêm as cachaças artesanais com nomes mais apelativos: "Amansa brabo", "Amansa corno", "Amansa Sogra", "Atrás do Saco", "Oração do Santo Mé" e "Oração dos cornos". Para não citar os mais ousados.

Curiosamente, embora seja um profundo conhecedor da história da cachaça e de suas origens, Elysio Senna não aprecia a cachaça como bebida. "Comecei colecionando whisky. Mas, há 30 anos, conheci o maior colecionador de whisky do Brasil, Claive Vidiz, que depois também entrou para o Guinnes Book. Eu vi que nunca conseguiria ter uma coleção como a dele. Mas, de cachaça eu poderia ter", conta o cearense, que é membro da Confraria dos Colecionadores de Cachaça.

Para os que estranham o fato de Elysio não beber cachaça, ele explica: "Não gosto. Se algum amigo quer provar uma das cachaças, eu trago aqui e mostro. Mas, eu não aprecio".

Profissão: cachacier

Diferente de Elysio, o publicitário paulista Maurício Maia é um profundo apreciador de cachaça. De tanto provar, hoje, ele que também é Chef de cozinha, se especializou na bebida e tem mais 300 rótulos de todo o Brasil catalogados e devidamente degustados.

No último mês, ele passou pelo Ceará para visitar algumas plantações de cana e conferir os produtos cearenses. Em conversa com o Guia do Sabor, destacou que a cachaça está indo além de uma bebida popular e tem ganhado destaque nas cartas de bebidas dos bares e restaurantes.

O interesse de Maurício pela aguardente brasileira e seu folclore começou depois de conhecer canaviais, destilarias e alambiques no interior de São Paulo. Desde então, ele busca mais e mais conhecimentos e viaja, passando pelas regiões produtoras, além de participar de cursos ligados à produção e ao consumo da cachaça.

Para conhecer melhor as combinações de alimentos com a bebida, o optou por fazer um curso de gastronomia. Com esta formação, passou a elaborar e buscar pratos que harmonizem bem com a aguardente de cana.

Mauricio comenta que a bebida é versátil e pode combinar com diversos pratos da culinária brasileira. O melhor é, que segundo ele, a cachaça não perde seu valor quando utilizada em drinks. Tem combinação melhor do que caipirinha com feijoada? É quase impossível pensar no prato sem associá-lo à bebida.

O certo é que a bebida - tão apreciada por estrangeiros - agora passa a ser valorizada também pelos brasileiros. Pura, na caipirinha ou na preparação de pratos, a cachaça é nossa e merece lugar de destaque na gastronomia nacional!

Onde degustar

Ficou com vontade de degustar cachaça? Em Fortaleza, alguns bares vão além dos rótulos tradicionais e apresentam desde cachaças famosas, passando pelas tradicionais, artesanais e até as mais caras. Uma dose da mineira Havana, por exemplo, pode custar entre R$ 35,00 e R$ 40,00.

Mas, não precisa se assustar. Outras boas cachaças têm preços mais acessíveis. No restaurante Stilo Mineiro, tem lugar para cachaças de diversos estados brasileiros, porém como o nome anuncia, as mineiras são o grande destaque da carta. Além da Havana - em falta no momento - Santo Grau, Lua Cheia e Seleta são rótulos que merecem uma degustação. Para acompanhar, o crocante torresmo mineiro é uma boa pedida.

O restaurante e bar Cantinho do Frango é outro ponto de encontro ideal para os apreciadores da boa cachaça. O local conta com 100 rótulos à disposição dos que adoram provar uma caninha diferente. Além de consumir só em doses, o cliente pode comprar a garrafa e ir consumindo aos poucos.

Serviço

Cantinho do Frango
Rua Torres Câmara, 71, Aldeota. Funciona todos os dias, das 11h às 17h. Telefone: (85) 3224.6112.

Stilo Mineiro
Avenida Manoel Mavignier, 4131 - Sabiaguaba - no caminho do Beach Park. Funciona diariamente, das 9h30 às 17h; quarta a sábado até 0h. Telefone: (85) 3476.9049.

IZAKELINE RIBEIRO
REPÓRTER
 

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Bebida brasileira por excelência, a cachaça tem origem nos tempos do Brasil Colônia. De marcas registradas, são mais de 5 mil em todo o País. O Guia do Sabor conversou com dois amantes da bebida - cada um da sua forma - e dá dicas de onde experimentar uma boa cachaça



O mosto da cana de açúcar fermentado e em seguida destilado dá origem à bebida mais nacional de todas: a cachaça. O termo - que designa o destilado brasileiro - é usado em todo mundo. Disponível em duas versões bases, é possível optar entre a tradicional branquinha, quando o líquido faz o caminho direto do destilador para a garrafa; ou com diversas tonalidades, que adquire de acordo com o tempo e lugar de guarda.

Um dos maiores produtores do Brasil, o Ceará já teve mais de 200 marcas diferentes. Atualmente, esse número não passa de 20. É o que afirma o colecionador da bebida, Elysio Senna. "Entre os anos 60 e 70, o Ceará era conhecido com o produtor de cachaças de boa qualidade. Elas eram fabricadas em sítios ou pequenos alambiques localizados em cidades do interior. As cachaças mais conhecidas dessa época vinham de Aquiraz, Baturité, Redenção, Viçosa, São Benedito, Tianguá, além de Sobral e Aracati. Mas, muitas dessas fábricas foram fechadas por falta de investimentos e nossa produção acabou ficando para trás", comenta Elysio, destacando a produção de Minas Gerais como a mais valorizada e de maior qualidade no Brasil.

Em seu acervo, o empresário aposentado conta com 7 mil garrafas de pinga, originárias de todo o Brasil. Para armazenar as bebidas, ele construiu um galpão com prateleiras de madeira e desumidificadores de ar - necessários para a conservação dos rótulos.

"Se não for assim, a luz e a umidade do ar destroem os rótulos e eles são fundamentais para a qualidade da coleção", diz Elysio, o único que entra no galpão, onde as bebidas estão armazenadas.

Há vários anos dedicando-se à coleção, Elysio já fez compras em grande quantidade para compor o seu acervo. Organizadas em ordem alfabética, as cachaças cearenses têm lugar de destaque.

Somente do Estado, são 757 garrafas. Deste acervo o que mais impressiona são os rótulos de mais de 50 anos, como a Aguardente Velha do Ceará (1945) . "Fiz uma pesquisa e descobri que os nomes das pingas eram escolhidos com o objetivo de chamar atenção. Tem a Arco Íris, Bacana, Bacaninha, Bossa Nova, Apolo 11 (da época em que foi lançado o foguete), Copa 70, Cachação ou Chica Boa", exemplifica.

E não para por aí. A criatividade ia muito além em rótulos como o "Beijo de Moça", "Com essa vida é melhor", "Lua de Mel", "Fica Rico", "Comigo é na porrada", "Venha Ver", "Sunga de sogra", "Cobertor de pobre", "Consolo de velho" e "Os dez mandamentos do machão".

Da região da Serra Grande, especialmente de Tianguá, vêm as cachaças artesanais com nomes mais apelativos: "Amansa brabo", "Amansa corno", "Amansa Sogra", "Atrás do Saco", "Oração do Santo Mé" e "Oração dos cornos". Para não citar os mais ousados.

Curiosamente, embora seja um profundo conhecedor da história da cachaça e de suas origens, Elysio Senna não aprecia a cachaça como bebida. "Comecei colecionando whisky. Mas, há 30 anos, conheci o maior colecionador de whisky do Brasil, Claive Vidiz, que depois também entrou para o Guinnes Book. Eu vi que nunca conseguiria ter uma coleção como a dele. Mas, de cachaça eu poderia ter", conta o cearense, que é membro da Confraria dos Colecionadores de Cachaça.

Para os que estranham o fato de Elysio não beber cachaça, ele explica: "Não gosto. Se algum amigo quer provar uma das cachaças, eu trago aqui e mostro. Mas, eu não aprecio".

Profissão: cachacier

Diferente de Elysio, o publicitário paulista Maurício Maia é um profundo apreciador de cachaça. De tanto provar, hoje, ele que também é Chef de cozinha, se especializou na bebida e tem mais 300 rótulos de todo o Brasil catalogados e devidamente degustados.

No último mês, ele passou pelo Ceará para visitar algumas plantações de cana e conferir os produtos cearenses. Em conversa com o Guia do Sabor, destacou que a cachaça está indo além de uma bebida popular e tem ganhado destaque nas cartas de bebidas dos bares e restaurantes.

O interesse de Maurício pela aguardente brasileira e seu folclore começou depois de conhecer canaviais, destilarias e alambiques no interior de São Paulo. Desde então, ele busca mais e mais conhecimentos e viaja, passando pelas regiões produtoras, além de participar de cursos ligados à produção e ao consumo da cachaça.

Para conhecer melhor as combinações de alimentos com a bebida, o optou por fazer um curso de gastronomia. Com esta formação, passou a elaborar e buscar pratos que harmonizem bem com a aguardente de cana.

Mauricio comenta que a bebida é versátil e pode combinar com diversos pratos da culinária brasileira. O melhor é, que segundo ele, a cachaça não perde seu valor quando utilizada em drinks. Tem combinação melhor do que caipirinha com feijoada? É quase impossível pensar no prato sem associá-lo à bebida.

O certo é que a bebida - tão apreciada por estrangeiros - agora passa a ser valorizada também pelos brasileiros. Pura, na caipirinha ou na preparação de pratos, a cachaça é nossa e merece lugar de destaque na gastronomia nacional!

Onde degustar

Ficou com vontade de degustar cachaça? Em Fortaleza, alguns bares vão além dos rótulos tradicionais e apresentam desde cachaças famosas, passando pelas tradicionais, artesanais e até as mais caras. Uma dose da mineira Havana, por exemplo, pode custar entre R$ 35,00 e R$ 40,00.

Mas, não precisa se assustar. Outras boas cachaças têm preços mais acessíveis. No restaurante Stilo Mineiro, tem lugar para cachaças de diversos estados brasileiros, porém como o nome anuncia, as mineiras são o grande destaque da carta. Além da Havana - em falta no momento - Santo Grau, Lua Cheia e Seleta são rótulos que merecem uma degustação. Para acompanhar, o crocante torresmo mineiro é uma boa pedida.

O restaurante e bar Cantinho do Frango é outro ponto de encontro ideal para os apreciadores da boa cachaça. O local conta com 100 rótulos à disposição dos que adoram provar uma caninha diferente. Além de consumir só em doses, o cliente pode comprar a garrafa e ir consumindo aos poucos.

Serviço

Cantinho do Frango
Rua Torres Câmara, 71, Aldeota. Funciona todos os dias, das 11h às 17h. Telefone: (85) 3224.6112.

Stilo Mineiro
Avenida Manoel Mavignier, 4131 - Sabiaguaba - no caminho do Beach Park. Funciona diariamente, das 9h30 às 17h; quarta a sábado até 0h. Telefone: (85) 3476.9049.

IZAKELINE RIBEIRO
REPÓRTER
 


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Opinião

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